
O Observatório Participativo da Desinformação é um projeto da AIC - Agência de Iniciativas Cidadãs, para enfrentar a desinformações em territórios periféricos da Região Metropolitana de Belo Horizonte. O projeto se organiza em frentes diferentes: escuta dos territórios, comunicação, formação e o fomento a iniciativas já existentes.
A comunicação precisa unir todas essas frentes, criando um storytelling afetivo de todo este trabalho, oferecendo maior conscientização sobre a desinformação, valorizando e ampliando a voz de lideranças locais e auxiliando na formação de comunicadores e cidadãos conscientes e capazes de lidar com a desinformação em seus territórios e locais de atuação.
Embora o Observatório já tivesse uma identidade visual coesa, isso não se refletia em suas frentes e na campanhas específicas. Como manter uma unidade visual abordando temas tão diferentes a cada campanha? Como criar uma linguagem institucional que não afastasse o público-alvo: moradores e referências comunitárias dos territórios e comunidades da Região Metropolitana de Belo Horizonte?
Entendo a comunicação como um todo, design e produção textual se uniram para criar uma identidade que se replicasse entre as campanhas. A partir das escutas desenvolvidas pela equipe para o desenvolvimento das ações, chegamos a uma linguagem textual sem formalidade, que preza pelo texto simples e inteligível, mas não tenta emular a linguagem dos territórios. Trouxemos personagens desenhados que acrescentaram ludicidade: o que antes soava acadêmico, agora remetia à linguagens de arte urbana, criando identificação.
Nas campanhas, unimos o on e offline, criando complementaridade entre os conteúdos produzidos e trabalhando com a mesma identidade visual nas duas frentes. Trouxemos os parceiros para avaliar e readequar os conteúdos dos materiais impressos, fazendo um meio termo entre a linguagem institucional e a linguagem afetiva de cada público pretendido.
Entre 2024 e 2026, o Observatório construiu um reconhecimento entre mais de 120 lideranças comunitárias, que apoiam, se envolvem e compartilham os materiais e ações realizadas. A comunicação é reconhecida pelos parceiros por conseguir adaptar e simplificar assuntos complexos como perda de direitos, violência contra a mulher, ataques a cultura, intolerância religiosa, a uma linguagem familiar, reconhecível e que desperta interesse.
As redes sociais tiveram um crescimento notável, com aumento de mais de 500% de seguidores no TikTok, ampliando a discussão para além da nossa comunidade. Os projetos foram recebidos nos Conselhos Municipais de Assistência Social e de Defesa das Mulheres de Belo Horizonte, o projeto foi convidado a fazer uma formação anti desinformação com jovens no Centro de Referência das Juventudes e receberá uma homenagem na Assembleia Legislativa de Minas Gerais.